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box of memories

Ergueu-se o máximo que pode. Os poucos anos de balé a ajudaram a ficar na ponta dos pés.
Enxergou a caixa embaixo de uma pilha enorme de roupas, mas o braço não alcançava o fundo do armário.
Puxou a cadeira e subiu com cuidado, ajoelhando-se e ficando em pé em seguida.


Tirou a pilha de roupas e arremessou sobre a cama.
Puxou a caixa, mas essa ela segurou com todo cuidado do mundo junto ao peito.
Desceu da cadeira e sentou-se no chão.


Abriu a tampa da caixa e delicadamente removeu a camada de papel de seda que cobria seus segredos.
Não eram exatamente segredos, encaixavam-se mais na gaveta das lembranças, porém, as deixou lá para tentar esquecer, o que não aconteceu. Esconder as lembranças não as apaga, não é assim simples.
Eram cartas, fotos, bilhetes, ingressos, recordações infinitas de um tempo não tão distante. A maioria dos e-mails e mensagens do celular ela se livrou, mas a caixa manteve-se lá.
E naquela manhã em que acordara nostálgica, decidiu que talvez fosse uma boa hora para remexer nos sentimentos que até então tentava esquecer, mas não naquela manhã, naquela manhã resolveu abrir-se para si mesma.


Os sentimentos afloraram como flores na primavera, mas sem alguma tristeza, sem lágrimas e sem mágoa. Alegrou-se ao lembrar de quem encontrou em um dia que nada esperava encontrar.
Cantou músicas daquela época e sorriu.
Tirou lembrança por lembrança e sorriu.
E ao ver a foto daquele fim de tarde, sorriu.
Ela sorriu por lembrar e saber que o dono daquelas lembranças ainda a fazia sorrir.
Guardou todas as lembranças, colocou a caixa no lugar onde encontrou e pegou o telefone.
Havia passado muito tempo, mas o número não se apagou da sua memória e com os dedos rápidos digitou: "Eu gosto da minha imaginação porque é onde as coisas se tornam reais..."
Sorriu novamente, apagou a mensagem e foi viver.

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